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novembro 26, 2013

Liberdade de Informação e Democracia

Por: António Borga
Jornalista / Professor
(Membro da A.D.E.S.)

Depois do Mário Jorge me ter desafiado (penso ser esse o termo mais correto…) para vos falar de Democracia e liberdade de informação, confesso que dei várias voltas à cabeça para tentar encontrar a forma de abordar o tema. É que falar de liberdade de informação vai-se revelando nestes tempos um exercício cada vez mais exigente - um exercício, certamente, muito mais exigente do que no tempo em que o conceito foi erguido como bandeira da democracia.

O peso de evidência da própria expressão «liberdade de informação»,   quando a repetimos interiormente, parece diminuir sob a pressão da realidade. O que é que entendemos hoje por liberdade de informação? E que relação tem ela com a democracia?
Informar sem contextualizar, ver, ouvir e ler sem poder compreender, mudar de jornal, de canal ou de rádio e encontrar sempre a mesma agenda – será isso que esperamos da liberdade de informação?

Parece inquestionável que sem liberdade de informação não há democracia. Mas, se não lhe acrescentarmos nada, não será igualmente possível que a liberdade de informação permita desfigurar e perverter a democracia?

A Constituição da República Portuguesa junta a liberdade de informação e a liberdade de expressão no artigo 37º, e liga ambas ao direito de todos «a informarem, a informarem-se e a serem informados, sem impedimentos nem descriminações». Reparem na formulação: o direito não é só o direito a informar, o que seria manifestamente insatisfatório caso   ninguém o quisesse usar. Mas também não é apenas o direito a ser informado, o que nos poderia condenar a ser mal informados. É, lá no meio dos dois, o direito a informarmo-nos. E, como é fácil perceber, para que esse direito possa ser exercido, necessário se torna que as nossas necessidades de informação sejam satisfeitas.
Ora, logo no artigo seguinte, a Constituição trata da liberdade de imprensa e meios de comunicação social e a associação de todos estes conceitos não é, naturalmente, acidental.