abril 30, 2017
abril 10, 2017
Considerações sobre a natureza da continuidade
Por: Cipriano Justo
Médico / Professor Universitário
Especialista em saúde Pública
(membro da A.D.E.S.)
Enquanto a tutela da Saúde se deslocava da Fundação Calouste Gulbenkian para Santo Tirso com passagem pelo Centro Cultural de Belém, mostrando às plateias os progressos que ao fim de um terço do mandato tinha conseguido, o retrato da saúde dos portugueses, evidenciado pelo Inquérito Nacional de Saúde, realizado em 2014, tinha perdido brilho e muitas das suas cores tinham desaparecido. A circunstância de os dados se reportarem àquele ano e só serem conhecidos agora, não significa que no início do seu mandato, na qualidade da função governativa que ia ocupar, lhe devesse ser estranho aquele diagnóstico. O padrão epidemiológico da morbilidade era inequívoco quanto às causas que lhe estavam subjacentes. O Inquérito Nacional de Saúde não fez mais do que dar evidência estatística ao que já era conhecido. Por essa razão as medidas que têm vindo a ser tomadas nestes meses que a
tutela leva de exercício do cargo são tudo menos aquelas que se ajustam ao que muitos dos indicadores de saúde exigem. No princípio, embora timidamente, o discurso ainda incorporava algumas referências à promoção da saúde. Ultimamente, o modelo biomédico readquiriu o seu estatuto, instalou-se e passou a dominar toda a iniciativa que tem origem no João Crisóstomo.
Vejamos então do que estamos a falar.
Entre Rubens e Botero
Podemos apreciar A Toilette de Vénus, de Rubens, mas sabemos que ela não vai ser diabética, nem hipertensa, nem cardíaca, nem vai sofrer de artroses dos joelhos, nem doença oncológica, nem vai
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